Entre o Atlântico e o Pacífico

Terceira personagem da série Minas ao Mar, fotógrafa mexicana Maria Fernanda fala do seu amor pela água, pela fotografia e pelo estilo de vida do surf

por Lucas Conejero, 28/03/2019
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Quem acompanha o Instagram da Maria Fernanda Bastidas fica impressionado com a linguagem ímpar e com a qualidade dos cliques. Apesar do nome comum aqui no Brasil, a jovem de 30 anos é nascida e criada na grandiosa Cidade do México, entre os oceanos Atlântico e Pacífico.

Nadadora e fotógrafa amadora desde a infância, Maria conheceu a cultura do surf há cerca de dez anos, durante uma trip para a região litorânea de Zihuatanejo, localizada no estado de Guerreiro.

Foi então, segundo ela, que a vida lhe ofereceu a oportunidade de unir suas três maiores paixões: o amor pela água, pela fotografia e pelo estilo de vida do surf.

“É bom ver mulheres incentivando umas às outras a fazerem algo que pensavam ser impossível para elas. São essas coisas que fazem cada vez mais gente acreditar que pode fazer também e ter vontade de tentar”, diz Bastidas.

AS Você nasceu na cidade do México, bem longe do mar. Como o surf entrou na sua vida?

MF Quando eu tinha 19 anos, me apaixonei pela cultura do surf enquanto estava em uma cidade de praia no México, chamada Ixtapa. Alguns anos depois, fui ao Hawaii como voluntária de uma organização humanitária chamada Surfing The Nations. Foi lá que decidi aprender mais sobre o esporte e tive a oportunidade de entrar no universo da fotografia de surf.

AS Você estudou ou é autodidata?

MF Desde pequena eu era apaixonada por fotografia e sentia vontade de estudar, me especializar. Me formei na faculdade de Turismo e Gestão Hoteleira e depois fiz um curso de fotografia digital.

AS E a paixão pela fotografia de surf começou como?

MF Sempre gostei de nadar, estar na água e passei a competir aos sete anos. Quando descobri a fotografia de surf, encontrei a mistura perfeita entre o meu amor pela água, a minha paixão pela fotografia e pelo estilo de vida do surf.

AS Você já passou uns perrengues na água, certo? Qual o pior?

MF Detonei meu joelho há dois anos durante uma sessão em Puerto Escondido. Precisei fazer uma cirurgia complexa. Foi tenso, a recuperação foi longa, mas finalmente voltei a fazer o que gosto.

AS E o mar da sua vida, a foto da sua vida, quais foram?



MF Conforme você fotografa, você sobe degraus em técnica e em saber encontrar boas condições, que ficam cada vez melhores. Uma foto que nunca vou esquecer é do meu falecido amigo Oscar Moncada em uma bomba em Puerto. Estávamos no lugar certo, na hora certa. Essa também foi a última foto antes dele morrer.

AS O surf é um ambiente tradicionalmente machista. Foi mais difícil conquistar seu espaço?

MF Assim que você provar que pode fazer o mesmo que os caras, entregar um material igual ou melhor, eles acabam te aceitando e começam até a te incentivar. Pelo menos comigo foi assim. No começo, claro, provavelmente eles não botavam muita fé em mim. Mas quando você prova para você e para eles que não está devendo nada, então você passa a ser aceita. Acho que o problema mesmo está nas marcas e revistas. Dificilmente contratam mulheres e sempre pagam menos para a gente. Quando chamam, é para fazer um retrato para um artigo de surf feminino ou fotografar uma campanha de roupas femininas. Queria poder publicar as fotos de caras que eu produzo e é bem complicado de conseguir.

AS Como você avalia o crescimento do número de mulheres no segmento da fotografia de surf, principalmente dentro da água?

MF Definitivamente, a quantidade de mulheres vem crescendo nos últimos anos. É bom ver mulheres incentivando umas às outras a fazerem algo que pensavam ser impossível para elas. São essas coisas que fazem cada vez mais gente acreditar que pode fazer também e ter vontade de tentar.