Um sopro de vida

Quarta personagem da série Minas ao Mar, Maíra Kellermann conta como transformou o sonho de ser fotógrafa profissional em realidade

por Lucas Conejero, 12/04/2019
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A equipe da Almasurf descobriu o trabalho de Maíra Kellermann depois de uma indicação da fotógrafa Michele Roth. As duas representaram a mulherada na exposição de fotos do último Festivalma, que rolou no prédio da FIESP no começo deste ano.

A curitibana de 28 anos, olhos de "vidro" e belíssimos cabelos encaracolados, dourados de sol, forjou sua cultura de praia nas viagens de família para a paradisíaca Ilha do Mel. Mas foi no Hawaii, em uma daquelas trips que a galera faz depois do colegial, que Maíra apaixonou-se pela fotografia de surf.

Atualmente, Kellermann mora em Fernando de Noronha e integra o seleto time de profissionais com autorização para trabalhar no arquipélago pernambucano. Quarta personagem da série Minas ao Mar, a jovem fotógrafa define como “maravilhoso” o empoderamento feminino dentro da água.

“É claro que já sofri com olhares tortos achando que não daria conta de estar no outside em um dia grande, inúmeras vezes inclusive. Mas nunca tive problema com isso. Quando você lida com naturalidade, passa a ser aceita mais facilmente”, avalia.

AS Como e quando o mar e surf passaram a fazer parte da sua vida?

MK Quando criança, frequentava muito a Ilha do Mel. Foi lá que minha paixão pelo mar despertou e percebi que ela aumentava a cada dia. Já o surf foi no ano de 2001, na praia da Riviera, quando meu primo me apresentou o esporte e sua cultura.

AS E a paixão pela fotografia? Seu pai era um fotógrafo amador, certo?

MK Desde criança tive contato com a fotografia. Meu pai gosta muito de tirar umas fotos. Mas me apaixonei mesmo quando acabei o colegial e fui estudar e trabalhar no Hawaii em 2009. Foi lá que meus olhos brilharam ao pegar uma câmera profissional nas mãos. E brilhavam mais ainda quanto via algum profissional entrando na água com a caixa estanque e as nadadeiras. Mas parecia uma coisa tão distante…

AS Você estudou? Como foi o começo da sua carreira?

MK Assim que voltei para o Brasil, não pensei duas vezes e me matriculei na faculdade de fotografia. Meu objetivo na época era embarcar em um navio de cruzeiro. E lá fui eu. Fiquei nove meses nessa e desembarquei em Barcelona. O plano era ir para Portugal, onde tenho família. Então comecei a fotografar o surf dentro da água. Lembro-me como se fosse hoje. Comprei uma nadadeira bem tosca, que achava o máximo (risos). Entrava com ela, de GoPro, e um maiô de manga comprida. Só fui ter uma roupa de borracha anos depois. Era uma água tão gelada, mas tão gelada que assim que saía da água sentia que podia ganhar o mundo com aquela energia. Foi lá também que vendi minhas primeiras fotos.

AS E os perrengues? Quem fotografa na água sempre tem um para contar…

MK Meu maior perrengue foi aqui em Noronha. Em um dia bem grande na Cacimba. Achei que fosse apagar diante de uma série que parecia não ter fim. Mas consegui relaxar a mente, recuperar o fôlego e fiquei firme diante das bombas.

AS Você voltou para o Hawaii recentemente para registar sessões de surf de peito em Jaws. Como foi, dez anos depois, realizar aquele sonho que você confessou parecer tão distante?

MK Voltei com meu ex-namorado para lá em busca de um projeto pessoal dele. Pegar Jaws de peito, sendo rebocado por um jet. Filmamos para o Canal OFF. Passamos três meses em um carro. Vivemos de surf, fotografia e cinema. De repente, me vi no outside de Pipeline, realizando um sonho. Lembro da “dor de barriga” ao entrar no mar e ver centenas de surfistas no line up e muitos fotógrafos no canal. Sabe aquele misto de adrenalina, fascínio, medo, paixão? Foi isso.

AS E o machismo tradicional da cultura do surf, te atrapalhou?

MK Quando estamos determinadas a algo, nada fica difícil. Conquistar meu espaço foi um processo natural, mas é óbvio que, por estar rodeada de homens, me sentia “a diferente". É claro que já sofri com olhares tortos achando que não daria conta de estar no outside em um dia grande, inúmeras vezes inclusive. Mas nunca tive problema com isso. Quando você lida com naturalidade, passa a ser aceita mais facilmente

AS É visível o crescimento de fotógrafas de surf dentro da água, né?

MK Sim, é visível e eu adoro ver isso acontecendo. Ainda é muito sutil e acho que isso acontece pela necessidade de paixão e amor pelo mar e pela cultura do surf ou você não se sustenta na profissão. Enfim, quem se destaca é quem insistiu e superou todos os perrengues. Quando vejo alguma iniciante com essas características “pego pela mão” e incentivo ao máximo.

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