Bodyboard não é o parente pobre do surf, diz a campeã mundial

Filha de alemães, nascida em Portugal, Joana Schenker diz que chamar a modalidade de parente pobre do surf é questão de ignorância.

por Redação Almasurf, 11/10/2017
follow

Joana Schenker já pensou em desistir, mas, com a certeza de que os momentos bons superam os maus, tornou-se na primeira campeã mundial portuguesa de bodyboard.

Nascida em Portugal, filha de alemães que emigraram para Sagres, já tinha quatro títulos nacionais e igual número de europeus. Com 30 anos, agora tem um título mundial.

"O título é muito especial. Portugal tem muito talento no bodyboard e no surf, e é uma honra ter trazido o título para o país".

Ela começou a praticar aos 13 anos, mas só no ano passado fez o circuito mundial na íntegra. No entanto, já tinha participado em algumas etapas.

No último final de semana, Joana Schenker nem precisou de passar das quartas de final na etapa de Nazaré, Praia do Norte, para garantir o título matematicamente. As duas adversárias diretas, a hispano-germânica Alexandra Rinder e a brasileira Isabela Sousa também não atingiram a final.

Em entrevista ao site português O Jogo, Joana afirma que considerar o bodyboard o parente pobre do surf é uma "questão de ignorância". 

Quando começou no circuito mundial?

A primeira vez que competi no Mundial foi na Praia Grande, em Sintra, em 2003.

Sempre esteve motivada?

Qualquer atleta tem altos e baixos. Houve situações em que achei que não valia a pena continuar, mas a vontade de superar é mais forte do que a de desistir".

Depois de fazer 30 anos no dia 1 de outubro, você é a atleta mais "antiga" do circuito?

Não, há atletas bem mais velhas do que eu. O bodyboard é uma modalidade de grande longevidade.

A impressão é a de ser uma modalidade para jovens.

As pessoas podem ter essa ideia, mas não é bem assim. É exigente fisicamente, mas não é só o físico que conta. Ser só bom para surfar não adianta.

Agora que realizou o sonho de ser campeã mundial, pensa continuar muitos anos?

Não penso em me retirar, de maneira nenhuma. Foi só mais uma conquista, fico muito feliz com o que já consegui, mas há muito mais para fazer, para evoluir.

Tem como objetivo revalidar o título?

Não quero prometer que vou lutar por outro título. Quando entro numa competição é para dar o meu melhor, quero manter-me entre as melhores do mundo. O top mundial é o objetivo mais realista.

Para alguns, o bodyboard é o "parente pobre" do surf. Ouve isso muitas vezes?

Já se ouviu mais e penso que a ideia vai se dissipando. Vai-se ganhando respeito pelo que os atletas fazem. Acho que quem diz isso ainda não abriu bem os olhos nem foi ver o que os bodyboarders fazem. Acho que é uma questão de ignorância.

Fonte O Jogo 

almasurfalmasurfalmasurfalmasurf