Remadores concluem expedição inédita ao arquipélago de Alcatrazes

Com mais de 60 remadores, dois paratletas e um dos maiores nomes do esporte, expedição que durou 10 horas marcou primeiro evento esportivo em quase quatro décadas no arquipélago de Alcatrazes.

por Redação Almasurf, 30/11/2017
follow

A canoa havaiana entrou para a história do país neste final de semana com a expedição ao arquipélago de Alcatrazes na costa de São Sebastião (SP), litoral norte de São Paulo.

Fechada desde o início da década de 80 para exercícios militares de tiro da Marinha, o local recebeu seu primeiro evento esportivo em cerca de quatro décadas. O local será reaberto ao público em janeiro de 2018 após decreto em setembro do Governo Federal. Mais de 60 remadores dos maiores do Brasil e a lenda do Taiti, Mana Nephi Tehiva, multicampeão mundial, contaram com o apoio da Prefeitura de São Sebastião com a autorização do Núcleo de Gestão da ICMBio (Instituto Chico Mendes de Biodiversidades) e, em quatro canoas havaianas com seis remadores cada se revezaram e desbravaram a costa até segunda maior área de biodiversidade do país com 67 mil hectares e ainda exploraram parte do local preservado. A expedição contou com o barco de apoio Endurance que pertenceu a Amir Klink, um dos maiores navegadores da história do Brasil, utilizado para a organização e revezamento dos atletas.

Foram ao todo 90 km percorridos em mais de dez horas de navegação que contou com as presenças nacionais de Alemão de Maresias, um dos dez maiores surfistas de ondas gigantes do país e com títulos na canoa havaiana, esporte que utiliza de treino para o surfe, Fábio Paiva, de Santos (SP), precursor do esporte no país trazendo e fomentando a mesma em 2000 e com três projetos sociais para crianças carentes, terceira idade e sobreviventes do câncer de mama, Douglas Moura, que participou da segunda maior competição mundial, na França, e tem o recorde em dias remados de canoa individual, entre o litoral sul fluminense e norte de São Paulo, além de Zé Paulo, com várias participações em campeonatos Sul-Americanos e que tem projetos ligados à canoa caiçara e ao profissionalismo do esporte. A expedição teve a presença de dois paratletas, Luciano Facchini, paraplégico que tem um clube de canoa havaiana em Porto Belo (SC) e sua própria adaptação ao barco para navegar no mar, e o atleta tetraplégico Robson Careca, de Ubatuba (SP), que adaptado em uma das canoas remou no paddleboard, o surfe deitado, em volta de Alcatrazes.

"Não tenho palavras para descrever os momentos que vivemos. Foi uma expedição em Parceria com a Prefeitura de São Sebastião, com a Geórgia, o Douglas, com vários dos maiores remadores do país,foi um grande prazer contar com a presença de todos, sou muito grato pela união de todos não só dos organizadores mas todos os envolvidos. Foi épico, foi singular", descreveu Alemão de Maresias, símbolo da cidade de São Sebastião.

Mana Nephi Tehiva, mostrou suas emoções: "Foi incrível, fiquei encantado, foi uma das minhas grandes experiências no Brasil", apontou a lenda da canoa havaiana, multicampeão mundial que está no Brasil e outros países da América do Sul há seis meses dando cursos sobre as técnicas milenares e que abrirá uma equipe em Ilha Bela (SP).

"Não podíamos pedir um dia melhor. Trabalhamos muito em conjunto com a Prefeitura de São Sebastião planejando essa expedição. Ter comigo vários amigos unidos e Deus nos presenteando com esse único dia perfeito em coisa de uma semana de tempo ruim . Vento perfeito a favor na ida e lá sem vento. Planejamento foi muito bom, não faltou nada, tivemos espírito da coletividade que é próprio da canoa havaiana, todos se ajudando. Presença de todo mundo e de Mana Nephi Tehiva, grande prazer tê-lo remando conosco, grande oportunidade. Significou muito pra gente chegarmos em Alcatrazes na mesma canoa eu, Geórgia Michelucci e Alemão de Maresias , nós que trabalhamos muito para a realização do evento", celebrou Douglas Moura.

"Minhas emoções se misturaram na água do mar. Deus estava ali, nunca desistam dos seus sonhos", apontou Careca que em 1998 saía da praia após surfar e sofreu um acidente de carro em Ubatuba (SP) com severa lesão na cervical.

"Sou um grande apaixonado por desafios, expedições e travessias. A relação que temos uns com os outros vai muito além da superação. O bem querer é algo contagiante. Vivemos uma experiência inexplicável. Fiquei pensando durante a expedição o quanto gratificante estava sendo e tudo ocorrendo da melhor forma possível. Quero agradecer a todos os envolvidos, principalmente aos organizadores", disse Fábio Paiva.

"A expedição era um sonho de alguns amigos em explorar Alcatrazes e que ganhou força com a reabertura da ilha, daí conversamos e falamos vamos reunir um barco, 12 remadores e vamos para lá e quando vi que Alcatrazes era um sonho de muitos remadores do Brasil de pessoas próximas que sempre assistiram a ilha ser bombardeada e que às vezes na praia da Costa Sul se escutavam os tiros, começaram a me procurar. Quando conversei com o Alemão e o Douglas, que tem uma baita experiência com o mar e se conectam muito bem com o mar, tudo foi muito divino. Ideia sempre foi agregar o máximo de pessoas com o espírito Va´A, de união, conexão, receber todos sem julgamento sem ego e vaidade. Daí foi tomando uma proporção tamanha que tivemos remadores de várias partes do país e nós conectados com o divini sem objetivos de ganhos financeiros, mas sim espiritual e foi exatamente o que aconteceu", disse Geórgia Michelucci, uma das organizadoras e que também é natural de São Sebastião.

"Tínhamos uma janela de tempo muito estreita Tudo mostrava nas três semanas anteriores que o domingo dia 19 seria o dia e conforme o dia foi se aproximando as previsões foram mudando e faltando pouco tempoo vimos que o dia 19 não era favorável. E foi fantástico pois o Douglas foi acompanhando tudo com o Alemão sobre o clima, fazendo avaliação diária. Eles viram que haveria uma janela para o sábado 18, foi exatamente o dia perfeito. Saímos com vento forte, foi uma saída difícil, depois das 6h até 9h pegamos o Down-wind, fomos surfando, marzão mesmo e depois quando fomos chegando a Alcatrazes o mar colou, foi aquele mar brilhante de óleo, foi incrível, todo chegaram chorando, foi muita emoção. Nos conectamos, o ambiente muito natural, muitos pássaros, lugar que apesar de toda agressão que sofreu foi preservado. Voltamos no início da tarde e víamos dos barcos a tempestade se armando e foi o tempo, na conta do chá, atracamos na areia e começou a chuva. Fomos guiados pela mão de Deus, mas nós não somos aventureiros, nós planejamos a expedição muito tempo. Todos ficaram em estado de êxtase e gratidão por terem vencido. Foi uma remada bem difícil pois na canoa as remadas mais regulares são pela costa", concluiu.

Os remadores vieram do Taiti e das cidades brasileiras do Rio de Janeiro (RJ), Niterói (RJ), Angra dos Reis (RJ), Ilha Bela (SP), Ubatuba (SP), Caraguaratuba (SP), São Sebastião (SP), Santos (SP) e Porto Belo (SC). Ao todo o evento envolveu 120 pessoas contando a organização, equipe em alto-mar com o barco de apoio e em terra.

almasurfalmasurfalmasurfalmasurf