Fia lança a Picolé Model

Shaper e legend, Fabinho Gouveia inventa prancha parecida com um Frutilly e descobre que ela vai bem nas marolas

por Lucas Conejero, 13/06/2018
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Legend do surf mundial e shaper, Fabinho Gouveia atualmente tem uma marca de pranchas e gosta de sair do lugar comum com modelos futuristas e experimentais.

Há alguns meses, ele criou uma prancha com design bem diferente. Batizada de Picolé Model, a bóia lembra uma Mini Simons e funcionou bem nas marolas.

AS Como surgiu a ideia de fazer uma prancha parecida com um Frutilly?

FG Havia feito uma prancha com restos de material que iriam pro lixo. Pedaços de EPS e retalhos de fibras, longarina empenada e resina EPS com prazo de validade vencido. Era um lance pessoal, uma terapia, um passatempo. Não foi um lance caprichoso pois não tinha opção de tamanho ou curva, mas o resultado final ficou divertidíssimo. A principio é um modelo bazeado no estilo Mini Simons, mas ganhou o nome de Picolé Model pela pintura em duas cores dessa primeira prancha. Fui gravar para nosso programa do canal Off que estrearemos em breve e durante a sessão nosso produtor Luciano Burin batizou o modelo. Aproveitei a deixa e disse: vou fazer uma com um palito e tudo! 

AS E funcionou bem?

FG Estava curioso para o primeiro test ride e fui logo experimentando a primeira configuração, a menos provável para o funcionamento. Usei duas quilhas grandes nos plugs frontais e uma quilha pequena no centro, ou seja, no “palito”. O ângulo direcionado para o bico e o afastamento entre as quilhas frontais e central fizeram a prancha andar com o freio de mão puxado. Não funcionou. Mas não desanimei e na session seguinte usei três quilhas tamanho médio, sendo as duas frontais nos plugs traseiros e a terceira no palito. E aí o Picolé funcionou normalmente, como também com quatro quilhas e estabilizador central. A pisada na base ficou normal, o pé encaixou no centro das quilhas trazeiras, não no “palito”. Aliás, essa extensão contribuiu para o volume em geral. O fato de ter uma mudança no out line não atrapalhou nem ajudou e o Picolé funcionou.

AS Você pretende lançar o Picolé no mercado ou é apenas uma experiência?

FG A experiência foi um mix de curiosidade e jogada de marketing para batizar o modelo, mas se alguém quiser o Picolé com o “palito” para tirar uma onda, zoar o barraco, daí eu faço. E se alguma marca do ramo de gelados quiser encomendar uma série, também acabo fazendo (risos).

AS E para finalizar, o que te leva a produzir pranchas diferentes? De onde vem esse espírito de professor Pardal?

FG Sempre fui uma pessoal inquieta. Admiro o trabalho de muitos shapers e uso esta inspiração para criar. Às vezes, as ideias vêm do nada e coloco em prática. Não me considero um "professor Pardal", mas gosto muito da brincadeira de descobrir e criar coisas novas. É minha terapia.