Encantos da Guarda do Embaú

Fotógrafo William Zimmermann revela imagens de sonho de uma das melhores ondas de Santa Catarina.

por William Zimmermann, 31/08/2016

Conheci a Guarda do Embaú há 17 anos. Na época, com 15 anos, estava dando meus primeiros passos no surfe e fiquei impressionado na época com o tamanho e perfeição das ondas.

Morava a 25 km de distância da Guarda e ficava contando os dias pra chegar o final de semana e ir pra nossa casa de praia na Pinheira, que fica ao lado da Guarda.

Naquela época conheci o Ricardinho através de um amigo meu e ficamos muito amigos. Dois anos depois estava morando com ele na Guarda e, depois, Barra da Lagoa.

Também tive o privilégio de surfar com as melhores pranchas graças a ele que me dava vários toques.

Depois de um tempo em Floripa, voltamos pra Guarda, e como ele estava sempre viajando atrás dos campeonatos fui morar na Pinheira na casa de praia dos meus pais. Enquanto isso trabalhava na Guarda em uma loja que fica embaixo da casa do Ricardo.

Sempre surfamos juntos quando ele estava na área... café, almoço e curtiamos com a galera.

Não demorou muito e ele ganhou o mundo com performances incriveis em ondas que muita gente nem chegaria perto. O tempo passou e ficava pensando numa maneira de me juntar a ele nessa jornada. Como surfista não dava, sempre fui meio prego. Nosso sonho sempre foi juntar a nossa galera em um barco nas ilhas Mentawai.

Depois de 10 anos trabalhando na loja da Guarda e surfando nas horas vagas, senti a necessidade de mudar e ficar ainda mais perto do mar. Um dia à noite em casa assisti um documentário chamado Fiberglass and Megapixels, que retrata o dia dia dos fotógrafos de surfe no Hawai, e pensei: "É issooo! Vou ser fotógrafo de surf!".

Na época, eu tinha um dinheiro guardado pra viajar com minha namorada pra fazer snow no Chile. Tive que falar pra ela que não ia rolar mais e contei minha nova idéia. Ela ficou triste mas curtiu a idéia. Liguei pro Ricardinho e ele botou pilha, manda ver, te ajudo no que precisar...

Naquela noite, comecei a pesquisar sobre os equipamento usados e me assustei com o preço, meu dinheiro só dava para uma câmera e uma lente, ainda faltava a caixa estanque.

Continuei trabalhando na loja e fiz acordo trabalhista pra comprar a caixa. Agora sim, tinha o que precisava para ser um fotógrafo. Equipamento na mão, era hora de praticar e fui pra Guarda fazer uma sessão na água e quando cheguei em casa, o resultado foi o pior possivel: fotos pretas, sem foco e com água na frente. O que deu errado?

Por que aqueles caras conseguem fazer aquelas fotos iradas e eu não, tenho tudo que eles tem!

Esqueci de mencionar que nunca havia fotografado antes, então tava aí o que faltava , experiência para saber configurar a câmera no manual.

Comecei a pesquisar na internet e a assistir aulas de fotografia. Perdi a conta de quantas horas passei pesquisando e sempre ia praticar no dia seguinte. Quando a foto saía bem exposta, ficava sem foco; se tinha foco, tinha gota dágua na frente.

Levei muito tempo até conseguir lidar com esses detalhes, e hoje, há quatro anos vivendo totalmente da fotografia, meu maior desafio é fazer fotos que ainda não fiz. Fotografo 90% do tempo na Guarda, então tem sido difícil voltar pra casa sempre com fotos diferentes.

Já exlorei todos os ângulos possiveis. Não faço parte do seleto grupo que praticamente domina o mercado da fotografia no Brasil. E se dominam, é por que são muito bons e merecem.

A fotografia é meu trabalho já me levou a lugares que sempre sonhei e outros que nunca pensei como: Argentina, Uruguai, Chile, Barbados, Califórnia, Costa Rica e Indonésia. Já consegui algumas publicações em revistas especializadas como Fluir, Hardcore , The Surfers Journal Brazil e uma capa na revista chilena Lineas Magazine.

Hoje, minha rotina é checar a previsão à noite e ver se vai ter onda no dia seguinte. Se tem, vou pra Guarda, o que leva cinco minutos, e fotografo a galera toda que está na agua. Deixo meu contato e negocio as fotos. Graças à essa galera que consegue um tempinho de folga pra surfar, eles que que mantém vivo na profissão.

Obrigado, galera é muito bom ver a alegria de vocês quando a foto fica boa. A Guarda tem sido meu local de trabalho há 14 anos, 10 anos dentro de uma loja e quatro anos na fotografia.

Sem dúvida é um lugar especial pra mim e pra todos que entram em sintonia com o lugar. Cercado de verde e trilhas, a pedra do Urubu, o rio da Madre, a Prainha e o charme das lojinhas fazem desse vilarejo de pescadores um lugar especial.

Convido a todos que tiverem a chance de conhecer que venham e não esqueçam a maquina fotográfica!

 

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